sexta-feira, 29 de abril de 2011

Publicação Sodoma

Prezados, estou vendendo meu terceiro livro publicado, o romance Sodoma, escrito por meu heterônimo Ulisses, ao custo de 35,00 reais, com depósito em conta corrente, Banco do Brasil 9640.540-6 - agência 4690-6. Favor confirmar interesse e endereço para envio. Abraços, Dionnara.

quarta-feira, 16 de março de 2011

POEMA DA NOITE

Vide obra - Leandro Jardim

Prefiro a vida
à obra
minha,
e também à obra alheia.

Gosto mais da cor dos dias coloridos
do que das letras embevecidas
que degusto às horas mortas,
como um ressuscitador
utópico e obsessivo
do que se passa nos agoras.

É essa minha usura.

(E contabilizar o tempo
é como contar estrelas
ou desenhar o vento, sei,
à maneira dos ingênuos.)

Sendo assim, escolho a vivência
antes da leitura, que escolho
antes da escrita. Mas, ante a isso tudo,
só mesmo a literatura.


Atualização no Blog
[Flores, Pragas e Sementes...]

Meus poemas no Blog do Noblat



Desde ontem e até domingo, poemas do meu último livro serão publicados diariamente às 23h30 no blog do Ricardo Noblat, colunista d'O Globo, dentro do site do jornal. Uma honra!


O primeiro foi 'Vide obra', que também abre 'Os poemas que não gostamos de nossos poetas preferidos' (Orpheu, 2010). Já é possível conferi-lo e comentar aqui no Blog do Noblat!

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

segunda-feira, 14 de março de 2011

POEMA SEM DATA

POEMA SEM DATA

Meu nariz
respira ares do Irã.
Minha comida
envenenou o russo.
É muito apertado
o chão da China.
Monge é massacrado.
A pedra social mata a mulher
no corredor da pena de morte.
Segredos de Estado
revelam o amor.
Entre almas fúteis
para dor.

Do livro Preto e Branco, 2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O CARECA ORIGINAL

Ao Querido Marcos França

A verdade é que os carecas estão em voga, depois de anos de repressão. Tribos raspam a cabeça com contornos sedutores que nos levam imaginar a alma que portam. Com todo respeito, esses não são os cariocas originais. São lindamente belos, porém, ainda imaturos. Eu explico. O careca verdadeiro já passou por todas as fases: do desespero à resignação, incluindo as mechas desfiadas que supostamente deveriam esconder a careca. Toda transição deste careca implica num acúmulo de experiência que inclui desde a rejeição até a atração. Os carecas sabem lidar com extremos. Enfim, quando assumem que careca não tem idade, mas transições, tornam-se os mais atraentes dos homens. O que pode ser um ledo engano. É verdade. Mas não custa arriscar. Elas não gostam mais, nem menos, mas elas gostam dos carecas. Os chapéus também ganham um charme divino nos carecas. Um careca que sabe diferenciar deboche de humor é melhor ainda. Vida que ressignifica a cultura. E vice-versa. Beijos, Dionnara.

LINK: http://elasgostamdoscarecas.blogspot.com

NO TEMPO DA DELICADEZA

É certo que a humanidade possua certa dose de agressividade, inerente à sobrevivência. Também certo que tal dose deve ser elaborada e não necessariamente dirigida concretamente ao outro. Certa dose de agressividade exclui os casos patológico-normais dos portes de armas ilegais, como as ameaças sutis e extorsões, num processo sistêmico intencional de culpabilização, vitimização e revitimização.

O perversista impõe, por uso da força bruta, suas ordens ditadas. Ou seja, num segundo momento, pode fazer uso de um AR-17 ou AK-47, ou de armas mais inovadas, perdoem a ignorância. Melhor a primeira opção. Sim, Senhor. Ou melhor, não se tem opção. A não ser tornar-se espelho, o que significaria sujar as mãos com as imundices incuráveis e quase sem basta da humanidade.

Às avessas, a agressividade, aqui, não atinge a elaboração do secundário, do cultural, pela via das artes, do simbólico, da imaginação, da palavra falada e dita, o que não permitiria passar ao ato. Mas, num empobrecimento brutal, os mais fortes e espertos apresentam-se com contornos concretos.

Assim, tornando-se patologicamente-normal, remetem-nos ao conto O Alienista de Machado de Assis, aonde toda a sociedade vai sendo enviada aos espaços de exclusão. Fosse na atualidade, somente a delicadeza fica livre e solitária. Mas é o contrário. Perde-se o delicado. O tom da ironia horripilante expõe, aos menos concretos, os riscos de terem sido tornados humanos, ou seja, buscam fantasias e abstrações, sem onipotências, nem a inebriação do poder eterno.

A pulsão é de morte, já dizia Freud. Trata-se de revirá-la em vida, tal qual a transferência negativa é improdutiva e pode ser revirada, com toda sua intensidade, em amor. Cuidado. Amor e ódio têm a mesma força. Somente a indiferença fica imune. Esse é o semblante do analista.

Ainda no conto de Assis, a alma fica, então, relativizada entre a delicadeza interior e a necessidade de gangues armadas para sobrevivência exterior. Foi embaixo de viadutos que o poeta Gentileza escreveu seus poemas coloridos, ou seja, literalmente sobre o concreto cinza do Rio de Janeiro, após ter sobrevivido - e supostamente ficado louco -, face ao incêndio do circo onde trabalhava.

Talvez Gentileza, cujo único lugar findou ser lugar algum, tenha ocupado o tempo chamado sempre, conseguindo escrever no vão entre as almas concretas e simbólicas. É o nó da Banda de Moebius. Lugar este que somente os artistas podem ocupar. O lugar da dignidade.

Viver dignamente, com condições básicas, parece um direito constitucional, mas, de fato, é uma sorte ou azar no dia-a-dia das grandes capitais.

Gentileza gera delicadeza. E que nos gere também a fartura das letras feitas para moradia, educação, cultura, dentre outras necessidades humanas. Já dizia o poeta, a poesia é pra comer.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

JURA

Jura no cotidiano
Pra não fugir da técnica
estrutural do jazz
refrão e improviso, aviso
condenação: culpado de reflexão.
São tuas ondas me quebram,
na praia,
em público amor e ódio,
meios, inteiros e fins.
Levas tudo que há
e a alma há de escapar.
Amo leitores
sem que os mereça.
Não os tenho escolhido.
Fico com ossos do oficio.
Querem entrar em contato,
à todo custo,
com o autor,
cruzamento entre obra,
e si mesmo.
Só a música me toca.
A escrita existe por si.
Nesta contramão,
a autoria perde-se
ponto final,
texto parido,
é visceral
é visceral
é visceral.
Te acuso, culpado, sem perdão.
As letras são provas de acusação
Se destas faltarem melodia, harmonia e ritmo:
proposta que eu chegue ao samba,
desde o navio negreiro,
até o preto e branco,
onde residem todos entretons.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

EXPLOSÃO II

Explodo
em sussurros
que passeiam esgotos.
Chego às matas
e cavernas.
Suicido-homicido
membros de mim.

Preto e Branco, 2011